21.11.06

Há dias para tudo...

Pois é, estava eu tranquilamente a ver o telejornal da uma, quando surgiu uma notícia que merece um comentário, por fugaz que seja... Dia da mãe, do pai, da criança, dos namorados, da árvore, do ambiente, do não fumador... pelos vistos existe mesmo um dia para festejar quase tudo... Hoje, acabei de saber, comemora-se o dia da televisão, essa caixinha preta que mudou as nossas vidas há umas décadas atrás... e ao que parece, há quem já não consiga viver sem ela... Será a televisão um mero entretenimento, se para muitos é já a insubstituível companhia de tantas horas de solidão?

20.11.06

Músicas de sempre...para sempre!
Esta música pode não estar na Memória colectiva, mas sem dúvida que estará sempre na minha memória individual...

Frase do dia

"Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota."

(Madre Teresa de Calcuta)

19.11.06

Um mundo sem memória... ou "Os sonhos de Einstein"

"Um olhar de relance pelas baiucas apinhadas de Spitalgasse é quanto basta. Os fregueses passam hesitantes de uma loja para a outra, tentando descobrir o que se vende em cada uma. Aqui, tabaco; mas, e as sementes de mostarda? Ali, beterraba; mas onde é o bacalhau? Acolá, leite de cabra; mas onde é o sassafrás? Não, não se trata de turistas na sua primeira visita a Berna. Trata-se dos habitantes de Berna. Não há um que se consiga lembrar de ter comprado chocolate ainda há dois dias numa loja chamada Ferdinand, no número 17, ou carne na charcutaria Hof, no número 36. Cada estabelecimento, bem como a sua especialidade, têm de ser descobertos de cada vez. Muitos andam com mapas, seguindo o percurso desejado de arcada em arcada, na cidade onde viveram toda a vida, na rua por onde passam há muitos anos. Outros andam com caderninhos, para neles registarem o que aprenderam durante os breves instantes em que ainda o conseguem recordar. É que neste mundo as pessoas não têm memória.
Quando está na hora de ir para casa, ao fim do dia, cada um consulta o seu livro de moradas, para saber onde mora.
(...)
Ao chegar a casa, cada homem encontra uma mulher e umas crianças que esperam por ele à porta, apresenta-se, ajuda a fazer o jantar, lê histórias aos filhos. Do mesmo modo, cada mulher que chega do emprego encontra um marido, filhos, sofás, candeeiros, papel de parede, loiças. Depois do jantar, mulher e marido não se deixam ficar sentados à mesa a conversar sobre o dia que tiveram, a escola dos filhos, a conta bancária. Em vez disso, sorriem um para o outro, sentindo o sangue a ferver e a mesma dor entre as pernas de quando, há quinze anos, se encontraram pela primeira vez. Procuram o quarto, avançam cambaleantes por entre fotografias de familiares que não reconhecem e vivem uma noite de volúpia. É que são só o hábito e a memória que esfriam as paixões da carne. Sem memória, cada noite é a primeira noite, cada manhã a primeira manhã, cada beijo, cada carícia, os primeiros. Um mundo sem memória é um mundo do presente.
O passado só existe nos livros, nos documentos. Para se conhecerem a si próprias, as pessoas trazem consigo o Livro da Vida, onde está anotada a história das suas vidas. Lendo diariamente as suas páginas, conseguem relembrar a identidade dos pais, saber se nasceram num estrato alto ou baixo, se foram bons ou maus alunos, se têm ou não uma vida de sucesso. Sem o Livro da Vida, as pessoas não passam de fotografias instantâneas, imagens bidimensionais, fantasmas. Nas frondosas esplanadas de Brunngasshalde, pode ouvir-se os gritos angustiados de um homem que acabou mesmo agora de ler que um dia matou outro homem, os suspiros de uma mulher que acabou de descobrir que foi cortejada por um príncipe, uma outra que não cabe em si de contente por ter descoberto de repente que se formou há dez anos na Universidade com nota máxima. Alguns passam as horas do crepúsculo sentados à mesa a lerem os seu Livros da Vida; outros preenchem freneticamente mais algumas páginas com os acontecimentos do dia.
À medida que o tempo passa, o Livro da Vida de cada pessoa vai-se tornando cada vez maior, até já não poder ser lido na totalidade. E então há que escolher. Os homens e as mulheres mais velhos são capazes de ler as primeiras páginas, para se conhecerem na juventude; ou, então, lêem a parte final, para se conhecerem nos últimos anos.
Também há os que pura e simplesmente deixaram de ler. São os que abandonaram o passado, os que decidiram que pouco lhes importa se ontem eram ricos ou pobres, cultos ou ignorantes, orgulhosos ou humildes, apaixonados ou de corações vazios - tal como pouco lhes importa saber como é que a brisa sopra por entre os seus cabelos. São pessoas que nos olham directamente nos olhos e têm firme o aperto de mão. São pessoas que caminham com a agilidade da juventude. Que aprenderam a viver num mundo sem memória."
(in "Os sonhos de Einstein", Alan Lightman)

...tentando definir... MEMÓRIA

A memória é a capacidade de reter, recuperar, armazenar e evocar informações disponíveis, seja internamente, no cérebro (memória humana), seja externamente, em dispositivos artificiais (memória artificial). A memória humana focaliza coisas específicas, requer grande quantidade de energia mental e deteriora-se com a idade. É um processo que conecta pedaços de memória e conhecimentos a fim de gerar novas idéias, ajudando a tomar decisões diárias. Os psicólogos e neurologistas distinguem memória declarativa de memória não-declarativa (ou memória procedural). A grosso modo, a memória declarativa armazena o saber que algo se deu, e a memória não-declarativa o como isto se deu. De maneira geral, filósofos, psicólogos, sociólogos e antropólogos tendem a ocupar-se da memória declarativa, enquanto neurobiólogos tendem a se ocupar da memória procedural. Psicólogos distinguem dois tipos de memória declarativa, a memória episódica e a memória semântica. São instâncias da memória episódica as lembranças de acontecimentos específicos. São instântias da memória semântica as lembranças de aspectos gerais. Memória, segundo diversos estudiosos, é a base do conhecimento. Como tal, deve ser trabalhada e estimulada. É através dela que damos significado ao cotidiano e acumulamos experiências para utilizar durante a vida. (in Wikipédia)

Questão da semana : Memória Colectiva - tentativa de definição...por partes!

memória do Lat. memoria s. f., faculdade de conservar e reproduzir as ideias, imagens ou conhecimentos anteriormente adquiridos; a lembrança de qualquer coisa ou alguém; reminiscência; aptidão para recordar especialmente certas coisas; reputação; fama; nomeada; monumento comemorativo de pessoa célebre ou de sucesso notável; exposição sumária; {memorandum}memorandum¸í; nota diplomática; apontamento para lembrança; requerimento ou nota explicativa em que se recorda a petição ou pretensão primitiva; memorial; dissertação sobre assunto científico ou literário apresentada em congresso, reunião, etc. ; Psic., conjunto de funções psíquicas pelas quais temos consciência do passado como tal, que inclui a fixação, a conservação, a lembrança e o reconhecimento dos acontecimentos; Inform., parte de um sistema informático na qual as informações são introduzidas e conservadas e a partir da qual podem ser posteriormente recuperadas; o suporte físico destas informações; Electrón., conjunto de dispositivos e circuitos constituindo um sistema equivalente ao anterior, para armazenamento de informação em equipamento áudio e vídeo; (no pl. ) narrações históricas escritas por testemunhas presenciais; (no pl. ) escritos em que um autor narra factos mais ou menos ligados à sua pessoa ou à sua época. - colectiva: conjunto dos elementos culturais, sociais e históricos que constituem as referências colectivas de um povo; - de elefante: grande capacidade de memorização; - de grilo: memória fraca; - visual: faculdade de reter e lembrar posteriormente pessoas, coisas ou factos vistos; de -: de cor; refrescar a -: recordar ou fazer recordar algo caído no esquecimento; varrer da -: esquecer.
colectivo do Lat. collectivu adj., que abrange muitas coisas ou pessoas; que pertence a várias pessoas; Gram., diz-se dos substantivos que, no singular, exprimem um conjunto de seres da mesma espécie.

Questão da semana : Memória Colectiva

Fruto de uma tertúlia interessante, realizada no Penedo da Saudade, de índole pouco profunda mas não tão superficial que não mereça ser comentada, surgiu me um repentino interesse sobre o conceito de memória colectiva...
Afinal de contas, o que é a memória colectiva? De onde surgiu? Que funções desempenha na nossa vida? Que lugar ocupa perante a história da Humanidade?
Antes de abordarmos todas estas dúvidas, e procurarmos com verdadeiro empenho respostas que nos possam esclarecer, achei por bem colocar aqui aquilo que poderia ser uma definição para estas palavras.
Espero conseguir provocar a discussão construtiva para esta temática que a todos toca e a cada um em particular...

Rubrica de poesia

"Não basta abrir a janela
para ver os campos e o rio
não é bastante não ser cego
para ver as árvores e as flores
é preciso também não ter filosofia nenhuma
com filosofia não há árvores: há ideias apenas
há só cada um de nós como uma cave
há só uma janela fechada
e todo o mundo lá fora
e um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse
que nunca é o que se vê quando se abre a janela."
E não, não é Vinicius mas sim Fernando Pessoa!

13.11.06

Já passou...mais um dia

Ontem foi mais um dia que já passou, além disso foi domingo... e pouco mais. Um dia igual a tantos outros, pelo menos igual a outros 24 que já passaram, e a vida segue em frente, continua no seu trilho, percorrendo os dias que passam, iguais a si próprios, iguais a tantos outros... Ontem, foi mais um dia, foi dia 12 de Novembro, abençoado pelo Sol de S.Martinho, partilhado junto daqueles que sempre estarão aqui, bem perto, pertinho, onde me encontro, onde me refugio, onde sei ser. Afinal...são vocês que estão de Parabéns...vocês que fazem nascer esta luz dentro de mim, este sorriso no meu rosto, esta alegria no meu coração... Vocês, que me fazem ser quem eu sou, que me constroem dando espaço para eu me construir... OBRIGADA, mãe,pai,mano...

E agora, que mais um dia está prestes a acabar, aqui ficam estas palavras de Vinicius(mais uma vez) e que dedico a vocês:

Tempo feliz

Feliz o tempo que passou, passou

Tempo tão cheio de recordações

Tantas canções ele deixou, deixou

Trazendo paz a tantos corações

Que sons mais lindos tinha pelo ar

Que alegria de viver

Ah, meu amor, que tristeza me dá

Vendo o dia querendo amanhecer

E ninguém cantar

Mas, meu bem

Deixa estar, tempo vai

Tempo vem

E quando um dia esse tempo voltar

Eu nem quero pensar no que vai ser

Até o sol raiar